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Diabetes infantil: entenda os perigos e saiba como prevenir

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A diabetes, — caracterizada pelo alto nível de glicose no sangue, que corresponde à hiperglicemia —, é uma das doenças que mais cresce no mundo atualmente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Só no Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) calcula que haja cerca de 13 milhões de pessoas com a enfermidade, incluindo crianças. 

O país é o 3º do mundo em quantidade de crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, mas a diabetes infantil de tipo 2 também cresce, assim como o percentual da obesidade infantil —principal doença que surge junto à diabetes. 

O tipo 1 da doença tem causa genética, enquanto o tipo 2 também tem uma pequena relação com ela, mas está intimamente ligado aos maus hábitos de vida. Ou seja, crianças estão desenvolvendo resistência à insulina por conta de uma alimentação desregrada e uma vida sedentária. 

Por ser uma doença comum, muitas vezes seus perigos podem ser relativizados, mas é preciso ter atenção às consequências da diabetes infantil, que podem ser físicas e até psicológicas.

Os perigos da diabetes

Os problemas de saúde que a doença pode trazer à vida do indivíduo são variados e eles surgem caso a diabetes não seja controlada da forma adequada. Muitas das consequências podem não ser originadas na infância, mas, aparecerem no futuro como resultado do descuido com a doença. 

Cetoacidose diabética (CAD)

É mais comum em casos do tipo 1, mas crianças com tipo 2 também podem apresentar a doença. Essa consequência é de caráter emergencial, ou seja, é necessário atendimento urgente caso a criança apresente sintomas de mal-estar, vômitos, náuseas e incômodos abdominais sem motivo aparente. 

De acordo com a SBD, esse problema ocorre quando a falta de insulina ou a grande resistência à ela levam ao excesso de glicose no sangue. Isso faz com que as células fiquem sem energia e passem a buscar essa glicose a partir da gordura acumulada. A partir disso, são formadas as cetonas que, em excesso, alteram o pH do sangue. 

As principais formas de prevenir a situação é realizar a aplicação da insulina de forma correta (nos casos do tipo 1) e controlar a resistência insulínica a partir da mudança de hábitos (no caso do tipo 2). 

Problemas sociais e psicológicos 

A depressão ocorre duas vezes mais em pessoas com diabetes do que naqueles que não apresentam a doença, ainda segundo a SDB. No caso das crianças, é possível que elas sofram com problemas de saúde mental por conta de sua situação, principalmente levando em consideração a necessidade de privação de alguns alimentos ou mudança radical de hábitos. Tudo isso também pode levar à ansiedade, tanto para crianças, quanto para seus pais. 

Outra questão séria que envolve as crianças é o desenvolvimento de transtornos alimentares. Isso porque o uso da insulina, no caso do tipo 1, pode levar ao ganho de peso. No tipo 2, as crianças já podem estar acima do peso, o que leva à apreensão nesse sentido. 

Todas essas preocupações podem fazer com as crianças não sigam as recomendações médicas da forma adequada, levando à piora do quadro. Dessa forma, é importante destacar a importância do acompanhamento psicológico da criança em casos que indiquem grande tristeza, perda de interesse em atividades, grande preocupação com a doença ou com o peso, entre outros. 

Problemas vasculares

As complicações em vasos sanguíneos, que são umas das consequências mais comuns dos pacientes com a diabetes, não ocorrem tanto em crianças, mas podem surgir no futuro se o quadro não for controlado de forma adequada.

Isso porque a diabetes leva ao estreitamento dos vasos sanguíneos, atingindo veias, capilares e nervos, o que prejudica o funcionamento de diversos órgãos, como rins, olhos, coração e cérebro.

A nefropatia diabética ocorre quando os rins não recebem a quantidade de sangue adequada para seu funcionamento, levando à insuficiência renal. Em casos mais graves, isso pode causar a perda da funcionalidade desse órgão vital. 

No caso dos olhos (retinopatia diabética), os problemas com vasos sanguíneos podem levar à cegueira pela falta de irrigação do local provocada pelo estreitamento das veias e capilares. Pacientes com diabetes também apresentam mais chances de terem outras doenças relacionadas à visão, como glaucoma e catarata. 

 A diminuição da passagem de sangue também prejudica o coração e o cérebro, podendo levar à ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Quando atinge os nervos, pode haver a sensação de formigamento e a falta de sensibilidade nas extremidades do corpo, por exemplo.

Crianças com diabetes também podem apresentar dificuldade de cicatrização, por conta da glicose, sendo essa uma das formas mais comuns de identificar da doença. 

Os sintomas da diabetes infantil

A diabetes, de forma geral, pode ser de difícil percepção. No caso da infantil, ela também pode apresentar sintomas silenciosos. Entre os principais estão:

  • mal-estar: náuseas e vômitos podem surgir sem uma causa aparente;
  • sede excessiva: a criança sente sede de forma recorrente, muitas vezes ao dia e pode levantar no meio da noite para beber água; 
  • diurese excessiva: junto com a grande sede, há também as idas recorrentes ao banheiro, com maior volume de xixi. É possível notar esse sintoma também durante a noite, já que algumas crianças podem voltar a urinar na cama;
  • perda de peso: no caso da diabetes tipo 1, um dos sintomas é o aumento de apetite da criança, mas sem o aumento do peso;
  • visão embaçada: reclamações sobre da vista podem indicar problemas com os vasos sanguíneos. Geralmente ocorrem quando a diabetes já está em descontrole, por isso a importância dos exames de rotina; 
  • fraqueza e tontura: as crianças podem apresentar tonturas, fraquezas, grande cansaço sem um motivo claro e de forma contínua, por vários dias.

A prevenção da diabetes infantil

Por ser de causa genética, não é possível prevenir a diabetes tipo 1, afinal, o indivíduo já nasce com a condição.

No caso do diabetes tipo 2 em crianças, seu desenvolvimento está relacionado à genética, à má alimentação e ao sedentarismo, sendo comum, inclusive, que a criança também apresente sobrepeso. 

Assim, as melhores formas de prevenir a diabetes infantil do tipo 2 é a partir da mudança de hábitos. É necessário que a criança passe a se alimentar melhor, com redução do consumo de produtos processados e com grande quantidade de açúcar. 

Além disso, a realização de algum tipo de atividade física também é essencial tanto para adequação de peso quanto para o controle da diabetes. 

Mudar os hábitos já garante a melhora da resistência à insulina, fazendo com que os níveis de glicose no sangue voltem ao normal. Vale lembrar que crianças com o tipo 1 da doença também precisam ter cuidado com alimentação e exercícios físicos, para ajudar no controle da diabetes.

Os tipo 1 e 2 são as formas mais comuns da enfermidade, mas vale lembrar que existem outros. Cada um deles se apresenta de diferentes maneiras, de acordo com o organismo do indivíduo. 

Por isso, buscar o acompanhamento com médicos endocrinologistas e realizar exames de rotina é essencial. No caso das crianças, os pediatras também podem acompanhar o quadro dos pequenos, além de ajudar a identificar outros problemas de saúde que podem surgir. 

Conhecer melhor a diabetes infantil é um dos passos mais importantes na hora da prevenção e reconhecimento dos sintomas. Para saber mais sobre essa e outras enfermidades de forma aprofundada, siga nossas redes sociais! Temos Facebook e Instagram

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