O que é TDAH O que é TDAH

O que é TDAH e quais são os principais sintomas?

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Você já deve ter ouvido falar, em algum momento, que crianças agitadas têm Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Porém, até que ponto essa afirmação é verdadeira? Nesse caso, saber o que é TDAH e quais os seus sintomas é muito importante para que possa entender quando deve buscar auxílio profissional. 

Essa disfunção tem sido estudada por diversos profissionais, como médicos e psicólogos, há muitos anos. A intenção é contribuir com pesquisas e encontrar tratamentos eficazes, para que as pessoas diagnosticadas consigam ter mais qualidade de vida — hoje, já contamos com métodos de intervenção e medicações mais modernas.

Acompanhe as próximas linhas e entenda melhor o que é TDAH, seus sinais e tratamentos.

O que é TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade é um distúrbio do neurodesenvolvimento, que se traduz em comportamentos capazes de afetar diversas áreas da vida da pessoa — como a social, a escolar e a profissional.

Ainda não foi encontrada uma relação direta da sua causa, mas sabe-se que alguns fatores contribuem para o seu surgimento, como:

  • parto prematuro;
  • fatores genéticos;
  • exposição a tabagismo e álcool na gestação;
  • desenvolvimento cerebral diferente.

Existem 3 graus de TDAH:

  • leve: apresenta poucos sintomas e resulta em pequenos prejuízos para a pessoa — que tem momentos de dispersão e agitação. No entanto, com alguns treinos comportamentais, consegue ganhos na concentração. Um exemplo, em sala de aula, seria o professor perceber a desatenção da criança, mas ao chamá-la, ela consegue “voltar à Terra” novamente;
  • moderado: apresenta uma quantidade maior de sintomas. Aqui, o indivíduo alterna entre momentos com pouca e com muita dificuldade no desempenho das atividades. Apenas treinos comportamentais não costumam ser eficazes;
  • grave: muitos sintomas, de forma intensa, levando a sérios prejuízos. Aqui, são necessários ainda mais estímulos para a atenção. Uma intervenção multidisciplinar é o usual. A medicação é fundamental. Muitas vezes, a criança é chamada de “aluno problema”, pois nenhum professor consegue fazer com que ela fique sentada.

Quais são os principais sintomas?

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-V) divide os sintomas em dois tipos: desatenção e hiperatividade/ impulsividade, que devem ter se iniciado antes dos 12 anos de idade.

Os sinais de desatenção podem ser:

  • não prestar atenção e cometer erros, como em tarefas escolares, por descuido;
  • ter dificuldade de manter a atenção em atividades lúdicas;
  • parecer não escutar quando é chamado;
  • não conseguir realizar adequadamente as tarefas, por perder o foco rapidamente;
  • ter dificuldade para organizar tarefas e atividades (como prazos e tempo);
  • ter relutância em envolver-se em atividades que demandam grande esforço mental;
  • perder objetos frequentemente;
  • ter facilidade para distrair-se por estímulos externos;
  • esquecer compromissos e atividades, com frequência.

Já os sintomas de hiperatividade/ impulsividade são:

  • batucar as mãos e os pés, remexendo-se na cadeira, não ficando quieto;
  • levantar-se frequentemente, mesmo em situações nas quais se espera em que a pessoa fique sentada (como na sala de espera de consultas médicas);
  • correr e subir em locais inapropriados;
  • ser incapaz de envolver-se em atividades mais calmas;
  • falar demais;
  • não parar quieto, como se estivesse com o “motor ligado”;
  • dar respostas, antes de o interlocutor terminar o desenvolvimento da pergunta;
  • ter dificuldade em esperar a própria vez (como em filas);
  • intrometer-se em conversas alheias.

Sintomas em crianças

O diagnóstico costuma ser difícil antes dos 7 anos de idade, já que alguns dos sintomas de inquietação também ocorrem em crianças que não apresentam o transtorno. Entre a idade pré-escolar e o ensino fundamental é habitual existir agitação excessiva e impulsividade.

Por exemplo, é comum vermos crianças que cometem erros simples e de forma frequente nas tarefas por não terem paciência de ler o comando da questão. Levantar o tempo todo da carteira e mexer com todos os colegas também pode ser um sinal.

Sintomas em adultos

Os sinais em adultos são parecidos com aqueles infantis, no entanto eles ocorrem de forma mais adaptada. Por exemplo, a hiperatividade, em vez de se manifestar na forma de uma agitação motora, em que a pessoa não consegue ficar sentada, aparece como uma inquietude interna extrema.

A impulsividade pode aparecer em comportamentos inconsequentes, como o de atravessar a rua sem olhar para os lados, ou na incapacidade de tomar decisões com foco no longo prazo, como as relacionadas a empregos.

Acidentes de trânsito, toxicodependência e dificuldade de se manter por muito tempo no mesmo relacionamento também são comportamentos comuns em adultos com TDAH.

Como funciona o tratamento para TDAH?

O tipo de tratamento depende de características do indivíduo, como idade e grau dos sintomas. No entanto, em geral, serão necessários psicoterapia (feita com um psicólogo) em combinação com remédios (receitados por um psiquiatra).

A psicoterapia ajuda no repertório comportamental. A pessoa precisa ajustar alguns modos de atuar ou substituí-los por outros que deem mais ganhos nas áreas social, escolar e profissional. É preciso aumentar a capacidade de organização, melhorar a solução de problemas e saber lidar com a impulsividade, adquirindo mais autocontrole, por exemplo.

O ganho de autoconhecimento ajuda o indivíduo a se entender melhor — compreendendo as situações que o levam a se dispersar com mais facilidade e aprendendo modos de aumentar a concentração.

No caso dos remédios, eles podem ser divididos em alguns tipos, como os seguintes.

Estimulantes

Os estimulantes são capazes de aumentar a dopamina no organismo, substância que desempenha um papel importante no pensamento e na atenção.

Não estimulantes

Apesar de os não estimulantes demorarem um pouco mais que os estimulantes para fazer feito, eles também são bons. Ajudam a melhorar o foco, a atenção e a impulsividade.

Antidepressivos

São comumente usados para tratar adultos com TDAH. Alguns exercem efeitos parecidos com os estimulantes, aumentando a produção de neurotransmissores, como norepinefrina e dopamina.

Existem diversos tipos de medicamentos, com ações diferentes. É comum que, no começo, o médico psiquiatra queira testar os efeitos de alguns, para verificar a qual deles o paciente se adapta melhor.

Qual médico você deve procurar para um diagnóstico?

Neuropsicólogos (uma especialidade dentro da psicologia), psiquiatras, neurologistas e neuropediatras conseguem fazer o diagnóstico de TDAH, que é realizado com base na observação de sintomas e atitudes. Alguns casos também necessitam de testes psicológicos, que são realizados apenas por psicólogos ou neuropsicólogos. Muitas vezes, o diagnóstico pode envolver mais de um desses profissionais.

É importante procurar alguém capacitado, antes do tratamento, já que outros transtornos, com sinais parecidos, precisam ser descartados. O Déficit de Atenção, por exemplo, tem muitos sintomas compartilhados, no entanto a hiperatividade não faz parte. O Transtorno Bipolar, por exemplo, abrange os comportamento de impulsividade e, nesse sentido, pode ser confundido com o TDAH.

Saber o que é TDAH é o primeiro passo para buscar mais qualidade de vida, já que o transtorno interfere no funcionamento de várias áreas importantes. O resgate da autoestima e a aquisição de novos comportamentos, para lidar melhor com as manifestações são tão importantes quanto o uso da medicação.

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